Volúpia não sabe o que fazer com as dúvidas

No caminho de volta para casa Volúpia lembrou-se que passara o dia sem noticias de Desejo, cansou de bancar a dificil e mandou um oi para o candidato a futuro amante, também porque ela ao tomar conhecimento da dificil vida do rapaz preocupou-se em saber se tudo estava bem com ele.

Dentro do carro gravou um pequeno vídeo: “Oi menino sumido, está tudo bem com você? Se você sumir eu lhe acho. Beijos e fique bem.” Enviou a videomensagem, desligou o celular e já estava em casa. Caminhou pela estrada da pedra, parou em frente a piscina e comtemplou o reflexo da Lua na água, olhou para o céu e falou: “Obrigado, obrigado, obrigado” entrou em casa, subiu as escadas e adentrou na confortável suite: despiu-se, um rápido banho, procurou por seu companheiro de todas as noites o Chanel Nº 05 borrifou no colo duas gotinhas e esperou evaporarem no calor de sua pele; vestiu uma calçola de algodão e nada mais, deitou-se em sua espaçosa cama, vendou os olhos e adormeceu.

Acordou antes das dez horas da manhã, tomou um banho para despertar o corpo, vestiu logo a roupa que usaria para ir almoçar no clube. Escolheu uma roupa leve e fresca, não tomaria banho de pisicina mesmo assim, vestiu o biquini. Um conjunto de calcinha e sutiã na cor laranja com detalhes brancos, um short curto de tactel cinza que combinaria com a parte de cima do conjunto de banho. Para arrematar vestiu uma bata azul clara feita de crochê, para realçar as curvas e o contorno do seu corpo, calçou uma sandália de dedos, separou uma bolsa de praia para levar seus apetrechos: fone de ouvidos, documentos, carteira, celular, tablet, protetor solar, escova de cabelo, batom e quase a casa toda. Desceu e foi para cozinha preparar o seu café da manhã.

Leite de soja, torradas com manteiga de amendoim, frutas, iogurte natural com cereais e um copo de suco de laranja, foi a sua refeição. Organizou e lavou a pouca louça que sujou, olhou para o grande relógio no meio da parede branca de sua cozinha, viu que ainda tinha uma hora para encontrar as amigas. Guardou os utensilios em seus devidos lugares e foi para sua sala de estudo, acabara de ter um insight: “stalkear a vida online de G”.

Ligou o notebook, sentou na mesa de madeira com textura de mármore, aguardou o computador iniciar quando a janela do Google abriu-se, ela não sabia por onde começar sua pesquisa. Permaneceu imovel diante da tela, nada digitava, pensou, forçou o cerébro a raciocinar, lembrou-se do nome dele de solteiro e pahhh… Localizou um perfil dele no Facebook que há tempos não era atualizado. Não era isso que ela buscava, continuou seu trabalho de pesquisa, fez associações com alguns amigos e nada encontrava. Até que ela lembrou do dono do Bar do Riso, G era cliente certeiro do estabelecimento, digitou o nome do proprietário e foi procurar na lista de amigos do mesmo. Trabalho fácil eram só cinco mil pessoas listadas. Rola o cursor do mouse janela abaixo, desce, perde a paciência, assopra e quando já estava desistindo: BINGO, dois perfis surgem ao final da imensa lista. Em um ele está casado, várias fotos com a mulher e a filha recém nascida provavelmente era a esposa que administrava aquela página. Fecha e a clica na segunda opção, esse é mais recente, porém não tem atualização, nada que possa facilitar o encontro dos dois. Desiste, contrariada segue para o encontro com as amigas.

A busca online por G levou mais tempo que o planejado e Volúpia acabou chegando atrasada para o almoço. No estacionamento lotado ela não encontra vaga para estacionar o seu carro, dar uma volta pelo pátio para ver se alguém vai embora e surge um espaço. Com dificuldade ela encontra uma brecha no final do terreno, faz a manobra cuidadosamente, pega seus apetrechos, desce do carro e aperta o controle para travar as portas. Quando está conferindo se as portas realmente estão fechadas, uma sensação ruim toma conta do seu corpo, sente calafrios e um aperto no peito. Quando ela se vira e faz menção de sair dali, o passado se personifica na sua frente. Ela tem ânsia de vômito, vontade de chorar, o aperto do coração sobe por sua garganta. Ela tenta caminhar mais suas pernas não a obedecem, cada uma parece ter cem kg, a voz some, a vista escurece e ela pensa que vai desmair.

A Loba acredita estar vivendo seu “inferno astral” ou as forças do além estão testando a segurança e a confiança dela. O passado está voltando para cobrar ou ensiná-la alguma coisa. Enquanto ela procura desesperadamente por G e tenta reascender um fogo que a consumia e a dominava, ela foge de Hermes com o Diabo foge da Cruz. Agora ele estava ali na frente dela, acompanhado da mulher e do filho barrando sua passagem. Ele estendeu a mão para ela cumprimentando-a, sem saber o que fazer. Apenas acenou com a cabeça, procurou se desvencilhar daquela situação incomoda o mais rápido possível, atribuiu a culpa do desabor daquele encontro a G, se ele não fosse tão difícil teria saído de casa mais cedo e não se atrasaria.

Encontrou as amigas sorridentes, tomando cerveja com a desculpa de que era para esfriar o calor. Volúpia parecia assustada e desconcertada, desejou bom dia, pediu uma água de coco. Aninha perguntou se ela estava bem, se tinha visto fantasma. A amiga nada respondeu, deu um sorriso amarelo em resposta. Pediram o almoço e a rotina alimentar de Volúpia quebrou-se, comeram churrasco a vontade, sem culpas. A Loba evitou os excessos não bebeu cerveja, permaneceu na água de coco. Passaram toda a tarde entregues ao hedonismo, beberam, fumaram e cantaram bastante, Volúpia mantinha-se retraída, tinha medo de Hermes aparecer novamente por isso mantinha-se em estado de alerta. Agradeceu a Deus quando as amigas anunciaram a hora de ir embora, se fosse por ela teria saido mais cedo, o que seria pior. As amigas não entenderiam seus motivos e a julgariam por toda a eternidade.

Despediram-se e foram embora, cada uma em seu possante, cada uma com seu drama e suas inquietações e suas peculiaridades. Aninha com certeza ainda iria conversar com seu filho; Meg e Paty certamente fariam amor e decidirima no par ou impar para ver em qual casa dormiriam. Quanto a Volúpia restara o quê? Solidão, cama vazia, dúvidas, medos, frustações… Ela ainda pensara em ir até ao Bar do Riso e mais uma vez procurar por G, mas a certeza de que deveria se manter longe de Hermes a mandou para casa soterrando-a em vários questionamentos a cerca do futuro em relação ao Desejo.

Chegando em casa, foi direto para o banho. Lavou-se, esfregou-se, observava o contato da água em seu corpo e desejava que aquele ato não limpasse só sua pele, mas também levasse todo e qualquer resquício do que ela vivera ao lado de Hermes. Aquele homem foi o responsável por guiá-la no caminho do amor, foi ele quem a libertou do submundo de dominação no qual vivia até conhece-lo. Mas, támbém foi aquele resgatador que a abandonou, que feriu seus sentimentos que roubou sua essência, fazendo com que ela passasse a viver fria e seca de romantismo. Depois dele ela nunca mais se apaixonou por alguém. Toda perda traz algum aprendizado, a dor que maltrata é a mesma que ensina e fortalece. Ela brindara o coração, protegera seus sentimentos mas não conseguia controlar seu gás, era um vulcão sempre em erupção prestes a expelir larvas de fogo para todos os lados.

Após tomar banhho, gotejou duas gotas do Chanel Nº 05, pentou os cabelos, vestiu uma camisola de seda e deitou-se em sua cama. Pegou o celular e clicou no site de composições inéditas: tataarrasa.com.br queria ver o que o poeta havia esccrito na útlima semana. Um poema chamou sua atenção:

Eu Te Procuro

Eu passei um tempo só

Para poder me acostumar

Comigo mesmo

Para descobrir do que

Eu realmente gosto

Fiz amor comigo mesmo

Hoje eu me amo muito mais
Me respeito muito mais
Agora eu já não sou mais infantil
A criança ingênua ficou para trás.

Espero a vida sorrir de peito aberto
Brinco com a lua e danço sem par
A solidão já não me acompanha
Eu não a quero por perto.

Meu coração se alegrou
Quando naquela festa
Você por mim passou
Meus olhos te seguiram
E o seu perfume me embriagou
Não se afaste de mim
Eu quero de você me enamorar.

Tudo que em mim dormia
Despertou feito sol de verão
Eu já não tremia
Minha cabeça e meu coração
Não me obedecem
De você eles não esquecem…

Eu te procuro por todos os lugares
Te sigo nas redes sociais
Vou nos mesmos bares
e você não encontro mais

Se eu te encontrei em sonho
Não quero acordar
Só quero te amar
e com você namorar….
eu quero dormir e acordar no seu braço
o abraço que me acalma
E me traz paz

Tatá Arrasa

Ao terminar de ler o poema os olhos lacrimejavam, releu e o choro foi inevitável. Ela se viu descrita, traduzida e interpretada em cada palavra, cada verso do poema pareciam que tinha sido escrito por ela. Uma sensação de abandono invadiu sua tranquiliade, a mulher segura estava se sentido pertubada. Os pensamentos e a lembrança do sonho ruim envolvendo G e Desejo se acenderam em sua memória. Ela estava atraída por um envolvimento carnal do passado e estava insegura com a aproximação do Superboy, receava que ele repetisse as mesmas atitudes de Hermes, conquistasse seu coração, alimentasse seus sentimentos e depois a abandonasse como se ela não tivesse importância.

Foi com esse pavor que ela desistiu de mandar outra mensagem para Desejo, que ainda nem sequer tinha respondido a que ela enviara na noite anterior. Tomada por a angústia, absorta em sua solidão ela inicou um monólogo: “É apena mais um, nem comeu e já sumiu. Melhor que seja assim, sem entrega, sem ranço, sem cobrança. Deve estar com outra ou não será outro? Podia ao menos ser sincero e dizer que não estava a fim. É isso que dar se envolver com criança…” Volúpia conversou com suas dúvidas por horas, não chegou a um consenso e acabou dormindo.

Tatá Arrasa

Nota do Autor: (Se você estar gostando dessa história, por favor comente, compartilhe e marque os amigos. Use a hashtag: #Tataparamaiores sua libido a um “clique”)

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