A Loba sai à caça – Volúpia deseja aprontar

Mais um dia inicia-se, Volúpia segue sua rotina semanal sem nenhuma interferência.

Arrumar-se, café da manhã na pararia da esquina do trabalho, almoço no restaurante de comida natural. Pausa para relaxar e conferir a vida online: Mensagem de Desejo em resposta a dela enviado um gif de um coração piscando, outras mensagens dos seus contatos que enviaram: piadas, correntes e blá, blá, blá. Fim do break e hora de retomar o trabalho. Curiosamente a tarde passa mais rápido que a manhã, a jornada de trabalho daquele dia chega ao final.

Não desejava que o dia passasse rápido, entretanto não conseguia esconder uma dose de ansiedade que vez ou outra vinha pertubar-lhe. Com a noite chegando, trouxe junto com ela uma sensação de ânsia: sentiu as pernas tremerem, suores frios transpirarem em suas mãos; sentiu as pernas moles e sua cabeça latejar um pouco. Saiu de trás de sua mesa de trabalho, foi até ao toalete, borrifou um pouco de água fria em seu rosto, encarou-se no espelho e pronunciou em voz alta: “é hoje, tem que ser hoje, de hoje não passa”! Tirou um lenço umedecido do porta-lenços, que estava em cima da pia, passou suavemente por seu rosto, secou as mãos no secador automático e retirou-se. Na sala conferiu se estava tudo organizado, pegou suas bolsas e foi embora.

Ainda precisava passar na academia para a aula de natação, nessa semana não faria musculação, deixaria para a próxima. Quando terminou deu uma rápida passagem na lanchonete, pediu uma salada de frutas e cereais para viagem, preferiu comer dentro do carro, não desejava perder tempo, sua única vontade era estar logo no Bar do Sorriso e encontrar G.

Por sorte o trânsito estava calmo, sem engarrafamento e os sinais não demoravam muito tempo para abrir. Não ligou o som tamanha sua ansiedade, devorou de uma vez o copo de salada de frutas e quando se deu conta chegara em casa. Achou que o trajeto fora rápido demais, se questionou se não tinha atropelado ninguém ou cometido alguma infração, pediu a Deus para não chegar nenhuma multa. Tirou as sandálias, desceu do carro, caminhou descalça pela estradinha de pedra, entrou pela lateral da cozinha, deixou as bolsas na sala e correu escada acima. Tinha pressa de tomar banho, escovar os cabelos, arrumar-se e correr para o Bar do Sorriso.

Tirou a roupa de uma vez só, puxou a saia para baixo junto com a calcinha, levantou os braços e puxou a camiseta, abraçou-se de costas para o espelho e desabotoou o fecho do sutiã, virou de frente e se olhou no espelho para conferir como estava sua depilação, não estava sem pelos como desejava, mas também não estava alto como uma Mata Atlântica. Aquele detalhe não atrapalharia o encontro que ela passara o dia esperando e programando. Resolveria o pequeno incidente no box e quando estivesse arrumada, ligaria para o salão para agendar um recapeamento geral, fez uma anotação mental.

Dentro do box procurou um aparelho de barbear no armário, passou um pouco de óleo de amêndoas na mão esquerda, sentou-se no vaso sanitário e de frente ao espelho começou uma pequena operação cirúrgica, massageou sua pelves com o óleo de amêndoas para dar uma emoliência ao pequeno tufo de pelos e facilitar o deslizar das lâminas. Volúpia preferia sem pelos mas naquela noite resolveu inovar e raspou os excessos, fazendo um desenho que lembrava o bigodinho de Hitler. Achou que G gostaria do resultado de ver o contraste de cores do branco com o preto, terminada a operação, correu para debaixo do chuveiro o tempo estava correndo e ela não queria se atrasar para aquele encontro que ela marcara sem comunicar ao G.

O banho foi mais rápido do que esperava, vestida com seu roupão felpudo já estava secando o cabelo e decidiu não fazer a escova, apenas pentearia e os deixaria soltos, um batom vermelho vivo nos lábios, rímel nos olhos, um pouco de blush nas bochechas, fim do primeiro round agora era só escolher a lingerie e a roupa que usaria por cima. Correu para o closet e atrapalhou-se, nunca sentiu-se tao confusa na hora de escolher o que vestir, abre gaveta, fecha gaveta, abre porta, fecha porta, abaixa, levanta até que chegou uma hora que sentiu vontade de gritar, parecia uma adolescente que vai ao primeiro encontro. Passou precisamente trinta minutos escolhendo o que vestir, já tinha perdido tempo de mais e por isso se vestiu de uma vez só, quando terminou de se arrumar, olhou-se no espelho e gostou do que viu. Como lingerie escolheu um body preto de renda e por cima usou um vestido preto com detalhes na cor nud, o comprimento era até a altura dos joelhos, além de ser colado ao corpo sem decotes na frente ou nas costas, mas com uma pequena fenda na lateral. Para calçar uma sandália preta com um salto de quinze centímetros, um bracelete prata e uma pequena bolsa de mão na cor prata. A cereja do bolo ficou por conta do perfume, o escolhido para a ocasião foi o 212 Sexy, seu preferido e companheiro nas noites de amor.

Entrou no carro, saiu delicadamente da garagem, abriu o portão com o controle remoto e deslizou em seu possante pela avenida. Enquanto dirigia repetiu as mesmas frases que pronunciou no fim da tarde no banheiro do seu escritório: “é hoje, tem que ser hoje, de hoje não passa”! Como um mantra essas frases foram repetidas por mais três vezes seguidas. Uma vez ela tinha lido em um dos livros da série “O Segredo”: tudo que desejares, deverá pronunciar sempre em voz alta e repetir três vezes seguidamente”. Depois que aprendeu isso nunca mais esqueceu e fazia sempre.

Ao se aproximar do bar, parou o carro um pouco distante, não queria chamar a atenção e até por que estava só, o que poderia dar margem para abordagens indesejadas e a noite estava prometida para reatar laços com G. Ao entrar no bar o proprietário não conteve sua admiração, fazia bastante tempo que Volúpia não aparecia por lá nos dias de semana e principalmente sozinha, a Loba percebeu o embaraço do amigo e com simpatia tratou de desfazer o clima apreensivo que se formara. Deu boa noite, ofereceu a mão para ele beijar e falou: “Amigos visitam uns aos outros, você acha que fiz mal em vir visitar você?” Ele beijou a mão da Dama, deu um sorriso maroto e exclamou:“Claro, claro, você será sempre bem-vinda! Bebemos o que para comemorar essa visita?” Ela respondeu que gostaria de uma taça de Martine Rosê e ele escolheu uma cerveja em lata para não deixar a amiga sem um brinde. Como o bar estava vazio, ela não queria sentar-se em uma mesa isolada, pediu para sentar-se ali mesmo em frente ao balcão, estratégia criada por ela, sentaria no mesmo local onde encontrou G na semana passada.

Bebidas servidas, brindes realizados, os amigos soltaram-se mais um pouco e começaram a conversar sobre o passado, o que a vida vinha fazendo com cada um e o que eles esperavam do futuro. Reservadamente Volúpia não dava muito detalhes de sua vida, dependendo do assunto falava um pouco mais e às vezes respondia com monossílabos. Olhou no relógio na parede a sua frente, passara-se uma hora que chegara ali e nada de G, o tempo estava correndo, ela teria que voltar para casa cedo, calculou e planejou voltar para casa a meia-noite. Não estava gostando do assunto com o amigo e para fugir da situação, pediu para ele ligar o som. Como ela era a única cliente valeu-se do beneficio de escolher o que gostaria de ouvir, pensou um pouco, avaliou as sugestões oferecidas pelo amigo: forró, descartado; românticas internacionais também não, axé piorou, olhou mais algumas e escolheu Pop Rock dos anos oitenta.

Quando o som foi ligado, ela pediu mais uma taça de bebida e virou-se de frente para a rua dando as costas ao balcão e para o amigo, indicando que a música era mais interessante que a conversa de ambos. As músicas eram variadas: Kid Abelha, RPM, Engenheiros, Titãs e Legião Urbana, essa era a sua preferida da época de sua juventude e consequentemente era a que G mais curtia. Cantava mentalmente música por música, mas apenas uma a desligou do presente e a levou de volta para o passado. Há Tempos:

Tua tristeza é tão exata

e hoje o dia é tão bonito

Já estamos acostumados

a não termos mais nem isso” […] Legião Urbana

Fechou os olhos, bebericou sua bebida, sentiu a mão de G alisando seu rosto em uma noite de chuva, ambos estavam deitados na sua cama, ela usava apenas calcinha e ele estava de cuecas, deitados de frente um para o outro, olho no olho e trocas de carícias. O som estava ligado, a luz da luminária laranja iluminava o quarto, ele levantou da cama, foi até o som e aumentou o volume que mesmo assim continuou abafado pelos pingos da chuva, ela levantou-se e foi para onde ele estava tentando realizar passos de dança, ela alterou-se e quis brigar com ele por que a qualquer hora os vizinhos poderiam acordar e reclamar do barulho.

Ele a abraçou por trás, beijou seu pescoço e pediu: “Me ensina a dançar” ela não resistiu ao apelo, ele pegou a sua mão e girou-a para que ambos pudessem ficar de frente. A música era agitada, mas eles dançaram lentamente, os corpos colados, o calor aumentando e eles esqueceram do frio, dançaram ainda mais duas músicas. Ela se cansou e soltou-se do seu abraço, pediu para ele ir embora porque já estava tarde e ela precisava acordar cedo no dia seguinte para trabalhar. Ele obedeceu, se vestiu, mas antes de ir embora ele a beijou na boca com voracidade e acabou mordendo sua língua, ela zangou-se e lhe deu um tapa, ele apenas sorriu e foi embora.

Passado o momento de transe, Volúpia abre os olhos e percebe que já está quase na hora de ir embora e G não apareceu. Cansada da espera pergunta ao amigo se na semana o bar fica sempre vazio? Ele disse que não, quarta e sexta o movimento volta ao normal. Na verdade ela queria mesmo era especular em quais dias a pertubação da sua paz aparecia, porém seria dar bandeira de mais fazer essa pergunta logo de cara. Com a curiosidade ainda mais aflorada questionou o porque de quarta-feira o ambiente ficar movimentado. O proprietário respondeu que isso se dava devido ao fato dos jogos de futebol serem transmitidos naquele dia. E ela respondeu: “Ah, okay, tudo bem! Então amanhã se eu aparecer por aqui não poderei ouvir música?” Ele responde: “Isso mesmo, a TV é ligada no volume máximo, o publico alvo é masculino e a bagunça tá feita, se você não quiser se aborrecer é melhor evitar.” “Obrigado por avisar, qualquer dia eu apareço novamente. Obrigado pela recepção, tchau, tchau.” Deu um beijinho no rosto do amigo, apertou a mão e foi embora.

Dentro do carro uma onda colérica invadiu seu bom humor, amarrou o cabelo, tirou as sandálias, vociferou alguns palavrões, respirou fundo três vezes seguidas, ligou o motor, deu partida e falou: “Tem nada não, quinta-feira eu volto!”

Tarde da noite o trânsito morre, as ruas do centro ficam vazias e os semáforos são desrespeitados. Meia noite já estava em casa, o ritual noturno já fora realizado, relaxava em sua cama, antes de dormir encaminhou uma mensagem para Desejo: “Boa noite Super Boy, fique longe de Kryptonita! Como está sendo sua semana??? Bjs” Feito isso programou o despertador, colocou na prateleira a cima da cama, vendou os olhos e dormiu.

Tatá Arrasa

Nota do Autor: (Se você estar gostando dessa história, por favor comente, compartilhe e marque os amigos. Use a hashtag: #Tataparamaiores sua libido a um “clique”)

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