Curiosidade, planos e desejos de Volúpia

Acordou junto com o despertador, levantou ao primeiro sinal, nada de mais cinco minutos ou programar soneca. Aquela semana seria decisiva para a Loba, exorcizar um fantasma, decidir se valia a pena embarcar em uma aventura romântica e fechar novos contratos.

Levantou-se, enfrentou o chuveiro para despertar, arrumou-se sobriamente escolheu um blazer da coleção que já contava com mais de vinte, selecionou um scarpin de camurça preto e uma saia azul-escuro a cima do joelho. Estava pronta para trabalhar, conferiu a bolsa que sempre levava para trabalho, tudo em ordem, pegou a outra que sempre levava o notebook e saiu. O café da manhã tomava na padaria que ficava na esquina do prédio onde estava localizado o seu escritório.

A manhã passou até rápido, conferir agenda, marcar reuniões, confirmar datas de eventos e convites, ler e responder e-mails. Quando deu por si já eram quase meio dia, o estômago sinalizou que era hora de parar e almoçar. Almoçava sempre em um restaurante que ficava na mesma rua, há mais de cinco anos que sempre comia ali. Gostava do buffet de salada e as opções de pratos eram bem atraentes além de nutritivos, para quem vivia de dieta como ela aquele restaurante era o ideal.

Após o almoço, apreciou um café forte para manter o cérebro desperto, não era muito fã de doces por isso dispensou a sobremesa. Permaneceu sentada a mesa e ficou a observar o ambiente, os clientes que entravam e saiam, seus gostos, comportamentos e tudo mais. Naquele dia recusou a companhia dos colegas de trabalho alegando que teria um compromisso naquele horário, na verdade ela estava se precavendo, se por um acaso recebesse alguma mensagem do Desejo não queria curiosos a sua volta. Ponto positivo para sua intuição, prestes a ir embora sentiu quando seu aparelho vibrou dentro da bolsa, discretamente abriu-a, procurou o aparelho e na tela estava a foto dele piscando. Olhou atenciosamente e concordou com a analogia das amigas, o moço parecia com o Superboy: Sobrancelhas grossas, queixo quadrado, pele branca e um óculos cuja armação remetia a imagem do astro. Leu a mensagem: “Bom dia, achei que tivesse perdido você e fiquei com medo. Não vou incomodá-la, fique à vontade, quando resolver seus problemas me procure, eu a esperarei. Devore-me e use-me!! Bjs.” Deu um sorriso malicioso ao ler a mensagem, se tivesse alguém por perto seria capaz de jurar que ela estava flertando ou dando mole para algum homem naquele ambiente. Soltou um beijo no ar e respondeu com uma carinha feliz e olhos de coração.

Guardou o celular, pagou sua conta e voltou para o escritório, concentrou-se em suas atividades e fez tudo o que estava programado para aquele dia. Após o fim da jornada de trabalho, daria continuidade a sua rotina semanal de cuidados com o corpo: as segundas e quartas eram reservadas para as sessões de pilates, terça e quinta: musculação e natação. Rotina essa que Volúpia seguia religiosamente, não possuiria um corpo saudável se não fosse tão dedicada.

Após a sessão de pilates com os ossos nos seus devidos lugares e postura corrigida, passou na lanchonete para um lanche, pediu um suco detox de clorofila com abacaxi e hortelã, acompanhado de um sanduiche em pão integral de sete grãos com recheio de ricota light e peito de peru. Degustou com calma, pagou e foi embora. No caminho para casa, ligou o som e foi direto para a música do Tatá Arrasa, que adotara com tema, a canção: “Segredo” de tanto ouvir já tinha decorado as palavras daquela poesia cantada.

Vou ao delírio quando me abraça,

beija meu pescoço, e me faz delirar,

e com as mãos toca meu intimo,

intimidade que eu só mostro a você.

Enlouqueço quando desbrava,

devora o meu íntimo e eu quero mais,

sempre mais” […]

Ouviu e cantou mais duas vezes seguidas e em um piscar de olhos estava em casa. Estacionou o carro na garagem, como de costume tirou as sandálias, caminhou descalça pela estradinha de pedra e entrou em casa pela porta lateral que dá acesso a cozinha, foi até a sala guardou suas bolsas, foi até a miniadega, abriu uma garrafa do seu vinho tinto predileto, serviu-se de uma taça e voltou para a sala. Parou em frente a sua poltrona preferida, despiu-se, e deixou o corpo cair em cima da velha cadeira, sorveu um gole e fez o que sabia de melhor relaxar, com a sala a meia luz pôs se a pensar e a divagar porque o reencontro com G a estava perturbando tanto? Que domínio aquele homem ainda exercia sobre ela, o que poderia fazer para livrar-se? Entre pensamentos e divagações a taça secou e ela preferiu ir tomar seu banho.

Hoje merecia uma sessão de banho terapia, resolveu encher a banheira, colocou seus sais de banhos aromáticos, colocou a touca de proteção nos cabelos para não molhar suas madeixas, ligou o som e deixou a canção: “Segredo” embalar o seu banho:

Passam os dias, as noites voam,

quando nos amamos o tempo não importa

os amantes tudo suportam,

a delicadeza dos momentos se prendem nas

paredes vazias. O segredo é o nosso tormento.” […]

Com o corpo submerso na espuma aromática que inundava a banheira, os olhos fechados e a música a dominar seus pensamentos, Volúpia lembrou-se da figura de G sorrindo para ela no balcão do bar, estava em dúvida se era um sorriso convidativo com a possibilidade de reviver um flashback ou ele apenas estava sendo gentil em nome dos bons tempos? Tentou mudar o foco do pensamento e tudo que conseguiu foi evocar mais memórias. Fechou os olhos com mais força como se isso pudesse interromper a intensidade de suas memórias, blackout de pensamento, abriu e piscou os olhos duas vezes e entregou-se.

Voltamos no tempo há dez anos, quando Volúpia era a festa na cidade e todos a desejavam. G era um rapaz saindo da adolescência, magro, corpo musculoso com pernas grossas e querendo ou não, fazia sucesso entre as mulheres. Por sorte do acaso ou trabalho das forças ocultas em uma noite de sábado o encontro dos dois aconteceria. G fora o escolhido da noite para fazer da lista de Homens possuídos por Volúpia.

A lua se escondeu, as estrelas estavam tímidas e não deram o ar da graça! O céu estava cinzento e uma densa neblina deixou a noite com um aspecto sombrio, nada inspirador para os amantes.

Mas, minha intuição me dizia que a noite seria especial! Não sei se porque vi você à tarde e meu coração palpitou de uma forma que há tempos não sentia, meu corpo inteiro reagiu, um calor percorreu cada músculo e as lembranças povoaram minha memória num piscar de olhos. Tive que me conter e se contentar só em olhar e seguir meu caminho. À noite preparei-me psicologicamente e fisicamente. O banho foi demorado como de costume, hidratei-me com um bom e refrescante óleo de banho para deixar a textura da pele macia e cheirosa, vesti-me e fui para rua encontrar as amigas e aguardar as surpresas que o destino me reservava.

Alguns copos de vinho para aquecer um pouco do frio a noite seguia normalmente. Oi para um, olá para outro, abraço em um amigo, aperto de mão em um conhecido, conversas atualizadas, pessoas se dispersando, altas horas, madrugada chegando, mas, não deixei desanimar estava eufórica e eu desejava encontrá-lo. Firme em meu propósito estava no balcão do bar tomando uma água, quando você chegou me olhou nos olhos e só falou “estou indo pra casa tá a fim não?” Era tudo que eu mais desejava, poder senti-lo desbravando cada centímetro do meu corpo. Respondi que sim e fui para o local por você indicado, como em um passe de mágica você surgiu excitado, respiração acelerada, o desejo era visível em seu corpo, suas mãos dominadoras fortes e viris apalpavam, desciam e subiam passeando sobre mim. Ahhhh o cheiro era forte e intenso, os gestos eram másculos e delicados, pele morena, pelos rentes, o sabor extraordinário.

Embalados pela excitação, o calor que emanava dos nossos poros, só sentir quando você me girou no ângulo de 90º, virando-me de costas, seus lábios mordendo meu pescoço, seus pelos eriçados roçando em mim, e seu membro ávido por explorar minha gruta, deixei-me dominar por sua força. Cedendo ao peso do seu corpo em um encaixe perfeito. Nesse instante em que me permitia ser possuída por você, dançando conforme o seu ritmo, nossos corpos executavam um balé que nenhum compositor ousou compor ainda.

O ambiente não era um dos mais adequados para testemunhar um ato de romance, mas, se permitiu ser usado e acabou sendo cúmplice do desejo da carne. Seus impulsos eram amortecidos por minha pele, a cada estocada sua, relaxava mais e pedia para que você continuasse. Não tenho noção de quanto tempo ficamos entrelaçados, suas pernas apoiadas nas minhas para permitir mais apoio, sua língua passando de leve em minha orelha, movimentos mais precisos, suor escorrendo, um gemido alto, sua energia dentro de mim, você desabando por cima do meu corpo e o prazer foi consumado. Não controlamos nossos instintos e nos permitimos viver o prazer intensamente.

Não somos amigos, não somos namorados, mas, por um instante fomos amantes! Eu sei que amanhã você nem vai falar comigo na rua, serei pra você novamente uma completa estranha e eu seguirei minha vida normalmente até que um dia, como um fenômeno raro das forças naturais e a Lei da atração nossos corpos possam se encontrar para mais uma sessão de: TESÃO, SEXO & PRAZER”

Volúpia relembrou detalhe por detalhe do primeiro encontro com G e constatou que durante todo o tempo em que se relacionaram seus encontros eram fugazes, sem muitas conversas, o que era compensado com várias horas de contato físico e prazer sexual. Juntos o casal explorou as várias possibilidades, ultrapassaram limites e amaram-se loucamente ou melhor dizer devoram-se um ao outro.

Com o corpo e mente relaxados, Volúpia abriu os olhos e estranhou o local onde estava, precisou de alguns segundos para se recompor e encarar a realidade. Saiu de dentro da banheira, vestiu seu roupão de cor bege e foi para o quarto, sentou-se na cama e tentou organizar as ideias em relação a G, não era as lembranças daquele fantasma que a atormentavam e sim a curiosidade para saber o que o tempo, a experiência de casado tinha agregado a vida daquele que fora seu “partner” na busca e encontro do prazer, foi uma viagem longa porém intensa e satisfatória a ambos. Estava decidida daquela semana não passaria esse encontro, ela voltaria naquele bar todos os dias até reencontrá-lo e por um fim a sua curiosidade.

Levantou-se da cama, voltou ao banheiro, escovou os dentes, penteou os cabelos e pingou duas gotinhas do Chanel Nº 5, dirigiu-se ao closet, escolheu uma camisola fina de seda na cor vinho e foi para a cama, estava consumado o ritual noturno para uma tranquila noite de sono. Deitada na confortável e ampla cama, com o controle na mão: programou o ar-condicionado; acendeu as microluzes azul de LED e guardou o controle. Pegou o celular no criado-mudo ao lado da cama, programou o despertador para as seis horas da manhã e encaminhou uma mensagem no whatsapp para o Desejo, nada de textos complexos apenas um “giff “de uma mulher soltando um beijo no ar, feito isso colocou o celular de volta no local onde estava antes, pôs a venda nos olhos e adormeceu.

Tatá Arrasa

Nota do Autor: (Se você estar gostando dessa história, por favor comente, compartilhe e marque os amigos. Use a hashtag: #Tataparamaiores sua libido a um “clique”)

Obrigado

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