Carta para o Brasil

Holanda, 20/05/2025

Queridos amigos e amigas,

Que saudades do Brasil! Como estamos por aí?

Por aqui levo uma vida pacata, do estilo que eu gosto. Pela manhã cuido do meu jardim e converso com as minhas orquídeas, à tarde passeio pelas ruas agora praticamente desertas, os cafés que outrora eram abarrotados de gente encontram-se vazios de clientes, porém calorosos e aconchegantes. Uma das atividades mais prazerosa para mim, é sentar-se em uma mesa a calçada, degustar um capuccino e ler os jornais, enquanto aprecio o silencioso movimento dos transeuntes no vai e vem pacato das estações de metrô. A hora mais prazerosa é o cair da tarde, quando os holandeses despreocupadamente se entregam ao “dolce far niente”, uns bebem café, outros cerveja e alguns apenas conversam. Confesso que observo com tristeza e lagrimas nos olhos, as relações humanas não são mais as mesmas.

Antes do mundo parar, os europeus se cumprimentavam trocando dois beijos no rosto e agora simplesmente acenam, baixam a cabeça e se cumprimentam. Uma tristeza de se ver. Amsterdam não é mais a mesma, a não ser pela cor laranja que lhe identifica e seus jardins de tulipas, sempre bem cuidados.

Gosto de viver por aqui, mais sinto saudades do meu país. Aquele calor, aquela energia, a alegria contagiante, tudo faz falta. Infelizmente viver no Brasil, tornou-se inviável. Lamento por todos, recordo com remorsos do meu último ano que passei por aí. A meu ver 2020 foi um divisor de águas para todo o mundo. Soa até irônico afirmar tal coisa, mas acredito que o famigerado “Covid-19” foi um mal necessário. A natureza agradece, o planeta terra voltou a respirar sem dificuldades, as calotas glaciais dos oceanos se regeneraram e a camada de ozônio se recompôs, graças ao recolhimento forçado do ser humano. Literalmente a terra parou.

A humanidade precisava passar por esse período de distanciamento, para reaprender a valorizar a vida, importar-se menos com o material e prestar mais atenção no emocional. Acho que a lição foi aprendida em todos os sentidos, até a conviver com esse vírus que se tornou endêmico e agora faz parte de nossas vidas. Graças a Deus somos seres multáveis e nos adaptamos a situações adversas.

Se antes desse divisor nosso País já gritava por socorro, agora ele chora e amarga a infeliz situação de subdesenvolvimento. A falta de políticas públicas adequadas, a desigualdade social, a desvalorização de algumas profissões, sem contar os vultosos salários aos políticos que são eleitos para desrespeitarem nossos direitos. Não há nada que me deixe mais triste.

Mas, nem tudo é tristeza. Meu último livro Íntimo & Pessoal; Memórias, Crônicas e Outros Escritos” estar sendo bem aceito pelos críticos e já figura entre os dez mais vendidos da Amazon, felicidade não cabe em mim. Sou muito grato ao amigo Gustavo Medeiros, que realizou um trabalho minucioso quase hercúleo, ao selecionar os textos e com seu olhar atencioso transformou minhas inocentes memorias em uma obra que agradou a todos, mais uma vez externo minha gratidão.

Encerro por aqui, tomado de saudades.  Desejo a vocês toda a felicidade do mundo.

Um abraço carinhoso do sempre amigo,

@letrastataarrasa

 

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