Amor Felino (Resenha: Um Gato de Rua Chamado Bob)

Amor Felino (Resenha: Um Gato de Rua Chamado Bob)

Horizonte, 10/04/2020
“Anjos existem
Só não ver quem não sabe amar
Só precisa acreditar
E encontrar alguém pra amar…”
@letrastataarrasa
Essa é a reflexão que fica após a leitura desse livro: “Um Gato de Rua Chamado Bob” que conta a história de James Bowen um ex morador de rua e seu gato de Estimação Bob.
Para quem já teve ou tem um gato, deve saber que não é simplesmente o ato de cuidar. Há quem diga que os felinos são interesseiros e que só nos procuram quando sentem fome ou querem um pouco de colo. Outro dia, não recordo se li ou ouvi alguém comentar: “os bichos imitam o dono…” então o fato de um ou outro bichano ser considerado “egoísta” se deve ao fato do sentimento que é transmitido por quem adota um gato e ou qualquer outro bicho.
James Bowen em seu livro revela que: “a lealdade, o companheirismo, e o amor” que seu companheiro lhe devotava foram o seu ponto de apoio e os motivos pelos quais ele não teve uma recaída e retornou a vida pregressa que levara e onde fora nocauteado várias vezes.
Se “Bob” salvou James o que o bichano poderia dizer a respeito de seu “tutor, pai, amigo…” a maior lição dessa história é o exemplo de “generosidade”. James não mede esforços e não se comporta com avareza, quando o assunto em questão é a saúde, segurança e bem estar do seu amiguinho de quatro patas. O bom moço sobrevivia com os trocados que apurava como artista de rua. Acostumou-se a viver com o pouco, mas agora esse pouco já não seria suficiente e responsavelmente ele começa a trabalhar em dobro para garantir o sustento dos dois. Não se sabe precisamente, se o “gatinho atraia sorte”, ou se as pessoas se compadeciam da imagem do felino ou se sentiam-se atraídas por ele. O fato é que a plateia começou a ver as apresentações realizadas pelo antes invisível James com um novo olhar e passaram a ser generosas em suas contribuições.
Em pouco tempo Bob já estava ganhando presentes e sendo mimado por todos. Graças a seu carisma e forma educada como se comportava. Mas, também conquistou alguns desafetos e por conta disso os dois se viram em algumas situações complicadas. Só lendo o referido livro para saber da história.
Essa leitura me remeteu a minha infância e trouxe-me algumas lembranças dolorosas. Cresci em meio aos gatos, não sei quantos passaram por minha vida, quando era crianças uma das brincadeiras que mais gostava era conversar com os bichanos. Eu, minhas duas irmãs: “Silvia e Rita” passávamos horas entretidos acariciando os gatos em nosso colo e conversando. (sempre era mais de um bichano e dávamos vozes para eles).
Dos que eu ajudei a criar e tomar de conta recordo:
Aretha, era uma gata branca com manchas pretas. Curiosa, esperta e medrosa. Gostava de ver o seu reflexo no espelho, as vezes dava voltas ao redor para ver onde estava o outro gato. Em sua primeira e última cria, após o parto ela abandou o recém nascido em cima do muro e saiu correndo, não quis nem saber. Após esse episódio ela veio a falecer.
Bruno, que nós carinhosamente chamávamos de “blusinha” era um gato em tom esverdeado e com olhos amarelo, minha irmã Rita dizia que eram “olhos amarelo banana” esse era festeiro e tudo era motivo de brincadeira. Quando eu estava datilografando em minha velha máquina de escrever, ele parava olhando por um longo tempo e depois tentava agarrar as teclas. Todas as noites ele ia encontrar minha irmã Rita na volta do trabalho, que era na rua de trás do quarteirão, certa vez ela mudou de caminho e nós só sentimos falta dele depois da meia noite, fomos atrás dele e o encontramos esperando por ela no local onde sempre se encontravam. Ele sumiu e até hoje não sei dizer se foi morto, sequestrado ou nos abandonou. Minha mãe dizia que ele havia ido a uma festa e por lá ficou.
Houve muitos outros: Zafir, Sasha, Daniel e outros que não lembro no momento, o fato é que todos tiveram pouco tempo de vida conosco. O último que me lembro e o mais marcante foi o “Meninozinho” um gato siamês dócil, amável e companheiro.
“Meninozinho!”, quando escutava a voz de minha mãe chamando por ele, aparecia de onde estivesse e vinha atender ao chamado. Ele era louco por pipoca e gostava de passar a tarde sentado em cima da velha máquina de costura ao lado dela, enquanto ela costurava. Um dia ela precisou se ausentar para tentar o tratamento em Fortaleza, Meninozinho se afastou de casa. Só surgia quando não conseguia suportar a fome ou vinha conferir se a dona tinha voltado. Foi então que o Médico a liberou para vim agonizar suas últimas horas de vida em nossa residência, ele também retornou. Na “noite de agonias” ele passou todo o tempo rondando no telhado e miando. Um miado cheio de clamor e lamento. No dia seguinte quando ela fez sua passagem e já repousava no caixão, Meninozinho e os outros gatos da casa, permaneceram todo o tempo embaixo, prestando suas condolências e realizando suas despedidas. Pior momento do que me lembro, foi a hora da saída do caixão. Eles estavam todos em cima da casa e começaram a correr desesperadamente em cima do telhado e berrando um miado de dor. Depois eles foram sumindo lentamente e até hoje não sei o destino de Meninozinho e seus companheiros.
Na atual situação em que minha vida se encontra, não crio gato e nenhum outro bicho, porque também não tenho destino certo e muito menos tempo para cuidar de um outro ser. Mas, quem sabe em um futuro próximo eu possa me dedicar a um bichano e escrever historias felizes de nossa convivência.
@letrastataarrasa

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